Feeds:
Artigos
Comentários

RIP, querida Meg!

Enfim, Meg libertou-se da lei da morte e deixou-nos “for good”, porque só se vive duas vezes e ela viveu as duas vezes de forma intensa e apaixonada, muito especialmente nas páginas e páginas sem conta dos Blogs que tanto admirávamos e seguíamos. Só tomei conhecimento do seu passamento esta manhã, através de um comentário de Adalberto de Queiroz a uma postagem minha lembrando a Meg e a biografia de Clarice Lispector que ela me havia ofertado há alguns anos. Guardarei com imenso carinho, orgulho e saudade não só esse, como diversos outros livros dela recebidos com muita e inesquecível amizade…

White Fleet

Faleceu hoje Vitorino Ramalheira, Capitão do Lugre “Santa Maria Manuela” nos anos 60, quando Hector Limieux embarcou junto com a tripulação e realizou um memorável documento cinematográfico sobre a rude e perigosa faina da pesca do bacalhau nos bancos da Terra Nova. “The portuguese White Fleet Men are heroes of a kind…”

Alado

Pia aflito, o passarinho!

do outro lado da vidraça

Fotografo, logo ele o voo alça

e eu me pergunto no meu cantinho:

“Porque piava o passarinho?”…

Agora o passarinho foi embora e deixou-me carregado de pensamentos absurdos na tentativa de imaginar-me suspenso nas suas frágeis asas. Frágil, concluí, sou eu, afinal, porque penso e meu pensar complica-me o viver. Passarinho nada cria, só procria e procura alimento. Ainda bem que logo desisti de mergulhar na alma da alada criaturinha e chamar-lhe de “Jonathan Livingstone” …

Tristeza…

…e como é triste, a tristeza! É o pesar por sabermos em grave perigo os nossos amigos José e Lucia Nascimento, casal vizinho de apartamento, hospitalizados e, no caso da Lúcia, já justificando respirador. É o falecimento do admirável Paulo Gustavo após mais de dois meses de calvário. José Nascimento foi vacinado. O Covid é moléstia que ainda corre solta, porque nenhuma das vacinas é credível a não ser para fazer rios de cash para os laboratórios…  

Voltei…

Bom dia, Sol. Bom dia, vida! Cada gesto meu parece um teste – o meu silencioso levantar e caminhar em passinhos curtos para fora do quarto, como que verificando a cada passo o funcionamento e capacidade de ser suportado pelas pernas. Descubro que meus olhos conseguem distinguir o caminho entre as sombras da madrugada, acionar um interruptor, alcançar a câmera D5. Minhas mãos permanecem destras para instalar a teleobjetiva e preparar o equipamento enquanto espero o poderoso surgir na elevação que tenho ante mim. Depois, disparo enquanto reverencio a Natura que fervilha de movimento e sobrevivência, no voo de centenas de andorinhas, nos humanos que madrugam a caminho dos seus meios de vida tão ameaçados…

Pesadelo

Amanheci meu domingo envolvido em sonhos ruins, tardios e doentios. Por uma última vez, sentei na cama como repetidamente o havia feito durante a madrugada. Cada sonho, bom ou mau, é um elo de uma corrente emanilhada a uma âncora unhada ao leito da minha vida. Hora o leito é lodoso e solta a âncora a arrastar-me com a força dos ventos em direção às incertezas e inseguranças, hora se finca firmemente em mais sólidas e credíveis formações. Nas minhas noites mais intranquilas, a insônia força-me a um jogo aleatório de escolha de um dos muitos sonhos contidos nos elos dessa amarra. Nesta tempestuosa madrugada, o ferro desunhou e fui arrastado para o pesadelo vivido e que há 47 anos não esqueço, não perdoo…

Espuma

Rolam e espumam fracas vagas,

contra as nuas rochas na baixa-mar

Eu as desnudo com meu olhar

triste e tão sombrio quanto as fragas…

sobre as quais me quedo a meditar

enquanto a preamar não as galgar

e meus sapatos começar a molhar…

Sinto saudade do futuro, quem diria

pois não sou mais o que terei sido

ou do que acaso me terei convencido

de tão especial que me unia à poesia

Mas oh tristeza! Sinto-me desiludido…

Passo lento

Caminhada matinal sentindo aquela dificuldade que tão recentemente passei a enfrentar. Nina largou da minha mão e afastou-se de mim no seu ritmo de alguns 5kms/hora que eu não mais consigo fazer. O meu passinho hesitante permite-me, por outro lado, ser mais observador do que me rodeia. Por exemplo, camisetas com frases estúpidas ou inteligíveis, ou bem-humoradas tais como: “Rola Cansada Futebol Club” entre os velhos do carteado. Vejo uma vistosa cadelinha com o nome bem visível na trela – Holly era o nomezinho da bichinha que acabara de largar um perfumado presente na calçada, que o bípede que a pastorava tratou, resignadíssimo, de recolher para um contentor próprio que portava. Imaginei que o homem pastorava caninos profissionalmente, porque dele não escutei nenhuma praga do tipo “ HOLLY SHIT!”, que até caberia no momento e que mereceria todo o meu apoio. O que não falta é cagão de calçada, sendo que boa parte dos dejetos são pelos canídeos largados e depois pisados au hasard por mim ou por ti, enquanto de olhar vagueado pelas “atraências” passantes, embasbacantes e impossíveis para quem atingiu a terceira dentição…

Recuo

Conforme avanço na idade, recuo na capacidade. Sequer sou capaz de segurar amizades, que surpreendo perdidas porque por mim não foram nutridas. Ou por razões outras que preferi chamar de “desconhecidas”. Agora eu sou uma outra personalidade à qual retirei parte da racionalidade que sempre disse a mim próprio possuir. Se racionalidade possuía ou não, não sei e nem mais faço questão. Dou voz ao meu combalido e fibrilado coração. Ele sim, merece especial atenção…

“Fiquemcasa”

Voltei a casa com um ramo de flores;

As Rosas, acredito, mitigam as dores

e poderão alegrar nosso convívio…

A chama da relação enfraqueceu,

o silêncio é o que mais prevaleceu

entre estas paredes, dia após dia, sem alívio…