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Disseram-me tantas verdades

que se são verdades não sei;

A verdade de certas verdades

na vida nunca encontrei…

 

Dize-me qual é a tua verdade

para saber o que ela contém!

Com a verdade da outra metade,

definirei eu a minha também?

 

A verdade é, pois, meu conflito!

Será que ela existe, ou é um mito

e por isso jamais a encontrei?

A verdade sobre a verdade quero ter

ainda na vigência deste meu viver…

Mas pelo jeito, sem sabê-la me finarei.

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Doris Day nasceu no mesmo ano da minha mãe. Todavia, nada tinha de maternal a minha admiração e afeto pela belíssima loura de voz límpida, corpo esguio de modelo e atrativa presença e performance cênica nos filmes que eu dificilmente deixava de ver. Havia já algum tempo que a seguia no Twitter, embora ela muito raramente postasse. Era, penso, uma forma de me imaginar “no seu círculo”, como se tal fosse possível. Enfim, Doris resolveu sair de cena e ir embora antes de completar os 100. Fique em paz…

 

Mãe

Revezo-me comigo próprio na tarefa de manter-me ativo, mesmo que aparentemente improdutivo. Apelamos, eu e aquele meu outro eu, à alma, que sabemos resiliente, porque o corpo, este corpo que eu tenho só quer mesmo é dormir. E o sono é, alguém terá dito, nada mais que a antecâmara da morte.

Nesta semana de homenagens às mães eu também lembrei da minha. Se fosse viva, ela teria completado 97 e certamente estaria muito mais preocupada comigo do que com ela própria. Diria que estou magrinho e me mandaria “comer e beber prá frente” que esta vida são dois dias! Penso que também me diria que fazer uma curta sesta feito o meu pai é benéfico, mas dormir muito faz mal. Tá, mãe, eu vou resistir e não cair no sono enquanto leio…

 

The Studio

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Início da madrugada curitibana e os metálicos fortíssimos da guitarra amplificada através de efeitos de distorção, seguiam o absoluto e grave caminho das harmônicas batidas, precisas e bem definidas do excelente contrabaixo, enquanto a voz do crooner se sobrepunha a pleno pulmão e eficiente sistema de som. Tudo isso, envolvido num envelope rítmico riquíssimo jorrando das baquetas de um baterista de qualidade admirável!

No meio daquele temporal harmônico e de percussão de altíssimos decibéis contido no espaço relativamente exíguo do estúdio, lá estava eu, mero espectador-ouvinte-acompanhante do meu genro, que pilotava a guitarra mais toda aquela parafernália de pedais seletores de boosters, vibratos e multiplosefeitosoutros…

Nos meus remotíssimos tempos de guitarrista amador de fim de semana, não havia como sequer imaginar que um dia se faria rock’n roll heavy metal de efeitos estridentes e ainda assim conservando musicalidade e arte. Covers que eramos dos melodiosos “Shadows”, dos beatles e outros grupos desse tipo, com incursões pelo rock’n blues da época, sem estridência e com mais moderados decibéis, tive dificuldade em adormecer, ainda sacudido pela performance de quatro puros amadores de surpreendente qualidade, brincando num estúdio de gravação…

 

Youtubing

Na falta de criatividade para gerar textos, poéticos ou não, que passem no controle de um mínimo de qualidade para alimentar o Blog, venho dedicando tempo até demais, explorando nos canais do youtube matérias de outros interesses pessoais. Especialmente música, instrumentos, aeronáutica, tecnologia em geral… Reconheço que esta fase desviou-me das leituras, para não falar do abandono da fotografia. No entanto, os temas envolvem-me e tomam-me por inteiro, além de me empurrarem o espírito de volta à juventude. Há controvérsias, todavia, pois a minha +quetudo afirma que eu nunca estive tão chato.

Vi o filme “Rock around the clock” nos idos de 57 ou 58, não estou certo, mas lembro daquela trepidante loucura com o ritmo do Billy Halley (and his comets). Tantos anos depois, reitero a minha admiração e preferência pelas canções maravilhosas dos “Platters”, musicalmente o ponto alto do filme. Delicio-me vendo e escutando o grupo repetir “Only You”, “The great pretender”, “Smoke gets in your eyes” over and over sem ficar enfadado!

Tantas vezes eu vi os vídeos, que observei um detalhe aparentemente sem importância, mas que me fez pensar: O Tony Williams, magnífico tenor que liderava o conjunto de vozes, tinha em falta um dente canino direito. Os tempos eram mesmo difíceis e o filme foi o que os tirou da penúria e lançou as virtudes do grupo para a fama mundial. Em sua atuação no filme “Europa à Noite” pude notar, num close, que a dentição do cantor estava completa e tão brilhante quanto seu formidável sucesso…

 

Inutilidades

Carrego meus últimos neurônios através de campos de cultivo semeados com inutilidades. Por eles caminho placidamente, inspirando o ar que me dizem ser a puríssima mistura certa de oxigênio e azoto livre de partículas contaminantes. E há por lá sempre novíssimos pés de inutilidade que me arrastam a curiosidade. Ajoelho junto de espécimes nunca dantes vistas e estudadas, corto alguns exemplares que depois disseco, analiso com paciência e interesse, dos quais separo sementes que eventualmente espalho ao vento fresco, esperando que medrem. Se medram ou não eu não sei porque sabê-lo seria uma completa inutilidade…

 

Update (Em 06 de Maio)

Senti-me por mim próprio compelido a esclarecer que o texto acima foi gerado em momento de reacção negativa aos campos de cultivo de relacionamento social, onde as plantas daninhas  parecem dominar.

Destinos

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Pensamentos voam à velocidade da luz. Comparando, a nave que me transporta apenas paira, enquanto observo os holofotes do céu iluminando e como que marcando nosso caminho para aquele terreno destino. Destinos geográficos são físicos, bem definidos, matemáticos, sistemáticos. Destinos do pensamento são complexos, de coordenadas indefiníveis porque, este pensamento que chamo de meu, é quase sempre errante e, frequentemente, delirantemente impossível.